Ontem olhei para os meus pés, vi que estavam mais gastos, um pouco secos e com um bronze de quem caminha por entre os raios de sol que se têm sentido. Estão diferentes, já sabem os caminhos de cor, tem vontade de passo a passo intervir entre todas as ruas. Gosto deles assim. Acho que eles adivinham para que lado sopra o vento até, escolhem a melhor sombra, sabem ir de norte a sul, são destemidos do caminho que têm de percorrer. Mesmo se andarem às escuras entre as meias e as sapatilhas, adivinham trilhos. São meus. Podem ser anatomicamente semelhantes a todos os pés que existem. Mas estes têm uma particularidade, sabem tactear tudo por onde pisam, têm memória e gostam de paralelos. Podia ser mais amiga deles, mima-los mais vezes, dar-lhes uma vida mais arregalada de sapatos de mil cores, envolve-los num creme como bagagem extra e proporcionar-lhes umas férias entre uma bacia de água e sal. Mas não, em vez disso obrigo-os a serem escravos das minhas vontades, mensageiros do meu comando cerebral. Têm de soar, têm de criar foles, de serem mordidos por sandálias. Sim é assim que gosto deles. Com marcas. Pois só assim deixarão verdadeiras pegadas, genuínas de si. Prometo não ser muito má, e ir mudando de vez em quando a cor do verniz.
DC*
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