domingo, 6 de março de 2022

Sem parágrafo

 Procuro o intermédio equilíbrio entre a ansiedade, a intervenção e a emoção. Nisto busco pela paz a todos os meus pestanejares. Concentro o meu pensamento no fim deste desajustado pé de vento. Se a nossa espécie involuir, fracassámos muito à luz de Darwin. Não sei ser indiferente, passar isto tudo ao lado como se a minha realidade fosse paralela a todo este tormento. Já tentei descortinar o pensamento deste ser nada iluminado... sem sucesso. Perante tantas incertezas, tento manter o meu coração sereno na esperança de uma boa nova. De que será do futuro sem esperança? É ela que nos resta, aliando a fé num mundo mais interactivo em cooperação. O nosso corpo físico é efémero, mas a nossa energia de conexão se for canalizada pelo bem comum permanece coesa e firme no tempo. É por isso que valemos a pena. Não consigo dar estrutura ao meu pensamento difuso sobre este tema tão impactante. Só damos valor quando sentimos falta, quem nunca? Sejamos gratos pelo conforto do nosso lar, pelo afecto de quem amamos, pela presença, pela amizade. ( aqui estava muito pó, desde 2015 que os sapatos não estavam ao sol, hoje abri uma janela, entrou um raio de sol) 

* Sapato descalço 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Lacuna de espanto

                Incrédula, é a minha expressão para tal. Ora vejamos, este problema de saúde pública que me ocorreu há uns tempos e que não consigo deixar de me indignar com espanto. Pela primeira vez nesta minha curta existência enquanto adulta, fui abordada no meu campo profissional com um pedido que não consegui assistir. Muito simples, estava no atendimento ao público na farmácia quando uma senhora, na casa dos seus 35 anos, me requer preservativos femininos. Perante isso, muito naturalmente fui averiguar se tinha. Verifiquei ao fim de 20 minutos que não os tinha em stock, não existiam em nenhum dos fornecedores do canal de farmácia. Com algum espanto tive de explicar à senhora a barbaridade que me estava a aperceber. A senhora encolheu os ombros e reclamou com o “sistema”. A verdade é que é um pedido raro, mas não deixa de ser um pedido pertinente e com um grau de relevância importante. Assim como foi uma senhora desta idade, poderia estar perante uma adolescente, consciente da sua sexualidade e querendo proteger-se a si e ao seu parceiro. Posto isto, muitas foram as questões que me assaltaram a consciência! Vejamos, para uma mulher se proteger numa relação sexual tem de estar dependente do seu parceiro. Entendam-se subjacentes todas as questões por detrás desta simples inexistência no mercado. Em Portugal, não existe este meio de contracepção. E pergunto eu…como é possível? Porque esta temática é bastante bem abordada junto dos adolescentes nas escolas, sendo considerado tão útil e importante como todos os outros. Porém o mercado só dá ênfase à protecção sexual masculina! É irritantemente absurdo, digo eu. Eu enquanto mulher do séc. XXI não tenho a possibilidade de me auto-proteger das DST’s ou de uma gravidez ou seja do que for, sem ter de depender do meu parceiro sexual? É um contra-senso! Mesmo que a procura deste meio contraceptivo feminino seja muito menos acentuada que o masculino, há necessidade da sua existência. Simplesmente porque está-se a mexer com uma questão de saúde pública. É claro que se sabe que o preservativo masculino é muito mais prático e acessível em termos monetários, mas ambos funcionam efectivamente bem. Parece que estamos perante uma hipocrisia social. Pelo que sei, este meio de contracepção só é oferecido por instituições a mulheres ligadas à prostituição ou vendidos em sexshops. Este preservativo feminino não está acessível a uma mulher ou adolescente que queira proteger-se com uma aquisição simples, como numa máquina de uma farmácia ou num supermercado ou numas bombas de gasolina. Incrível! Espero que com a evolução dos tempos este tópico aumente a sua importância em todos os sentidos, sociais, éticos e principalmente termos de saúde pública. 


quinta-feira, 1 de maio de 2014

De Abril para vós, Parabéns *

Abril é vosso, aliás é o mês em que tudo incrivelmente acontece. As pessoas mais importantes concentram-se todas aqui, neste tempo de momentos que se renovam ano após ano, para juntos celebrarmos. É de todos, que me preenchem inevitavelmente que quero falar, acarinhar. Um por um, ressurgem em significados ímpares!
     Tu que tanto valor de me dás, tanta compreensão desmedida. És tu que inicias a maré de Abril, com o teu 14 de Abril maravilhoso. Nasceste um bebe lindo de morrer, que a tua mãe tanto se orgulha de gabar. Pelo teu cabelinho loirinho de bebe, um pinguim de verdade! Complementas a minha vida com a tua existência, a tua forte presença de ser. De uma personalidade forte e de um orgulho universal, és tu e serás. 25 Anos de muito, Parabéns menino Fla!
     E tu cachopa dum raio, segues logo. O 15 de Abril, da Gândarense que tanto tenho para me orgulhar. Mesmo longe, sabes que terás sempre aqui esta tua amiga, a tua lunática. Para ti não posso gastar muito as palavras, tenho de as poupar para a fita verde que ali tenho guardada e que tanto me vou contentar de escrever. Por ti vou abreviar, com um beijinho de Parabéns Jxoana ! :b
     Saltamos um bocadinho só, e vens tu…Carolina! A minha musa inspiradora, de uma veia incrivelmente saliente para a vida. Vives o momento, a paixão das coisas mais simples, o íntimo do incrível. De ti sei que posso muito, contar com tudo e viver exponencialmente. Gosto mesmo de ti, por isso mil Parabéns da tua Dani!
     Mais um saltinho, e logo temos o aniversário do mestre André! O meu Pingas, o menino dos seus caracóis e birras choronas! Lembro-me de ti ainda de fraldas a querer beber leite pela caneca, a partir tudo pela curiosidade que te seguia nos dedos. Duas décadas de tanto, mesmo com as nossas discussões patéticas e irritantes, serás sempre o meu menino do coração* Parabéns chanfruda!
     E depois o último, pelo 30 de Abril que pela lógica é o mais recente dos príncipes da minha vida, o Afonso com os seus 7 anos de ternuras! Ainda não tem idade para se confrontar com os devaneios da sua prima, mas que no fundo sente a pureza da sua infância, e sabe o quanto gosto dele. Pois já foram muitos os bons momentos que passei com o meu pequeno, e teremos toda uma passadeira gigante de um conto de histórias para viver! Parabéns meu Afonsinho *

(adoro-vos tanto mais que muito, Abril sempre)

domingo, 6 de abril de 2014

O que é, será bom!

Sente o vento que se entrecruza nos teus cabelos. É importante sentir, de tal maneira que nos subjuguemos noutra dimensão inerente há nossa realidade. Inspira, só assim podes encontrar o impulso para detalhar momentos com a intenção devida. Hoje sinto que posso muito, há uma alavanca que me empurra para uma maré sinergética, única. Fecho os olhos e vejo, não revejo. Hoje vou soprar contrariedades, devaneios e comichões pela janela fora. Haja sempre luz, cor e acção.

*

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Summer of '13

Sol doirado que raias na areia, salpicado de ondas cristalinas na tua orla em rocha pintalgada. 
Verão *

domingo, 1 de setembro de 2013

Palavra

                Falemos de palavras difíceis, multi-interpretativas que causam imensa desordem comportamental e sentimental. Palavra diria apenas, que é o motor de forças maiores, que avança mundos por causas e alicerça consequências por si só. Prontamente dita, causa sempre impacto, deriva sentidos e exponencia emoções. Sempre que me lembro do seu sentido em mim, perante os outros fica a noção diferente a cada olhar, perante cada gesto e a cada segundo. Prefiro não a prenunciar, que seja uma premonição que se depreenda por ela própria no seu intrínseco significado.
                Entende-se por magia esse sentir forte que domina seres, momentos e ações. Através de um gesto piedoso ou de ternura, expressa-se nas suas entrelinhas o seu poder. Cega olhares, permite agir de uma forma avassaladora e preponderante por alguém ou por algo. Conduz a atitudes sensatas ou incontroláveis, desmedidas e desproporcionais. Não existe sinónimo para tal palavra, graças à graciosidade da sua essência. É bom ter a consciência dela em nós, e vivermos na órbita do seu sabor e intensidade. Pode variar entre vários tipos, do maternal ao conjugal, do carinho ao mimo. Interage entre pessoas e animais. É múltipla e dispersa por todos nós de maneira divergente.
                 Porém, a sua ausência ou o seu sentido de perda é como um buraco negro. A escassez deste poder cria entre os demais um temor, um descontrolo e um desconcerto perturbante e depressivo. Somos dependentes da sua existência, visto que a sua ausência torna tudo muito fraco, a preto e branco, impotente e descrente. Presenciar com este olhar essa lacuna de perto mas em fontes alheias cria em mim desconforto. Saber que é tão melhor caminhar no sentido de conjugar forças para obter este poder, e ver o inverso… infiltra-me comichões infindáveis. Não posso justificar determinadas falhas deste poder, é irreversível que isso aconteça, tal é a complexidade do ser humano. Esta complicação de caminhar dos seres, é evolutiva. E entender o que não é perceptível torna tudo num nó sem fim. Questões incongruentes pairam entre os sentidos, saber que entre esses demais seres tudo já foi tão mais fluente e flexível. Agora está a murchar como uma tulipa que vive imperiosa na sua cor em flor e o tempo a deixa cair por terra. Não consigo ficar indiferente aos mesmos, que de mim ambos têm essa palavra como a maior, que reina em mim a todos os segundos. É graças aos demais seres que de mim existe o meu sentir de estar para ser. Não conseguir mover tudo como certo e ver a cair o que está em alicerces soltos, é dessoante. Coesão perante incongruências ditas pelo não dito, fazem pensar cada vez mais porque não posso estar sempre rodeada de pessoas que lutam pela palavra das palavras. Eu luto, e quero lutar por mim, pelos demais que de tanto falo com afinco e por quem sinto o melhor deste sentir de palavra. 

(amar)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Dlim-Dlão

Sinto que tenho a cabeça a pairar, a fazer dlim-dlão ora na diagonal ora na transversal. Digamos que este Alentejo que vivo não é de todo chaparrão como se houve por ai afirmar com certezas. Este meu Alentejo tem-se revelado uma incitação constante às minhas emoções. Se pensar neste ano e uns segundos que passaram, deparo-me com uma metragem de evolução extraordinária a vários níveis. Quando aqui cheguei senti-me como se fosse acampar, como nómada numa nova aventura, fresca e empolgante. O meu primeiro emprego à séria, em que tinha de dar o meu melhor para que tudo fosse dar ao caminho de um destino certeiro. Correu bem este lanço de viagem inicial, com uma adaptação esquiva diga-se, cá me encontro. Sinto que vale a pena viver este sudoeste todos os dias, respirar o calor que aqui se vive, fechar os olhos e sentir o suor marítimo na minha pele. Mesmo de Inverno, quando tudo se torna mais ténue e insípido, há sempre razões para se inspirar tudo isto. As pessoas aqui são estranhas, vivem dentro da sua camisa aos quadradinhos, do seu monte com animais, da sua mania com auto-medicação com antibióticos, das suas unhas de gel gigantes e coloridas, da PETROGAL, da rivalidade com Santiago do Cacém, dos seus cães em formato salsicha, das suas caminhadas e da pacatez deste lugar. Eu sinto-me bem, porque no fundo todos nós aqui somos do mundo, todos vindos de lugares discrepantes, uns do norte, outros de África, outros da “Europa soviética”, outros do Brasil e outra de Leiria…essa terra que tanto significa. De Leiria também surgiu na minha vida, ele…que suporta tanto que nem dá para imaginar. Desde que me sinto com este feitiço ao qual chamam amor, parece que sou o que preciso para dar asas ao meu ser. Reconforta-me tanto saber que é mútuo este sentir, que vale a pena passar por tanto para estar assim. Foi há um ano que eu me dediquei a ti, que tudo começou com a lentidão própria que o momento necessitava. Crescente foi esta cumplicidade que torna nítida a confiança que ambos atingimos. Alentejo acima Alentejo abaixo, caminhas de mim para ti num rumo que nunca antes pensarás ter. Agora em unisom, seremos sempre o que temos de melhor. Por tanto, e por tudo, quero estar aqui. Sei que há dias que o vazio me preenche de ideias opostas, de pensamentos inversos e de atitudes contraditórias. Porém, sei que em consciência que estou serena, mais gradua e sempre pronta para os desafios mais aliciantes deste sol doirado. 

Acerca de mim

A minha foto
Espelho. Comprimido. Clementina. Gatos. Sorrir. Porto. Benfica. Bolachas. Correr. Incenso. Lorear. Arte. Aparvalhar. Gosto. Falo para o alto. Postais. Eu. Ponto de exclamação.