sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Dlim-Dlão

Sinto que tenho a cabeça a pairar, a fazer dlim-dlão ora na diagonal ora na transversal. Digamos que este Alentejo que vivo não é de todo chaparrão como se houve por ai afirmar com certezas. Este meu Alentejo tem-se revelado uma incitação constante às minhas emoções. Se pensar neste ano e uns segundos que passaram, deparo-me com uma metragem de evolução extraordinária a vários níveis. Quando aqui cheguei senti-me como se fosse acampar, como nómada numa nova aventura, fresca e empolgante. O meu primeiro emprego à séria, em que tinha de dar o meu melhor para que tudo fosse dar ao caminho de um destino certeiro. Correu bem este lanço de viagem inicial, com uma adaptação esquiva diga-se, cá me encontro. Sinto que vale a pena viver este sudoeste todos os dias, respirar o calor que aqui se vive, fechar os olhos e sentir o suor marítimo na minha pele. Mesmo de Inverno, quando tudo se torna mais ténue e insípido, há sempre razões para se inspirar tudo isto. As pessoas aqui são estranhas, vivem dentro da sua camisa aos quadradinhos, do seu monte com animais, da sua mania com auto-medicação com antibióticos, das suas unhas de gel gigantes e coloridas, da PETROGAL, da rivalidade com Santiago do Cacém, dos seus cães em formato salsicha, das suas caminhadas e da pacatez deste lugar. Eu sinto-me bem, porque no fundo todos nós aqui somos do mundo, todos vindos de lugares discrepantes, uns do norte, outros de África, outros da “Europa soviética”, outros do Brasil e outra de Leiria…essa terra que tanto significa. De Leiria também surgiu na minha vida, ele…que suporta tanto que nem dá para imaginar. Desde que me sinto com este feitiço ao qual chamam amor, parece que sou o que preciso para dar asas ao meu ser. Reconforta-me tanto saber que é mútuo este sentir, que vale a pena passar por tanto para estar assim. Foi há um ano que eu me dediquei a ti, que tudo começou com a lentidão própria que o momento necessitava. Crescente foi esta cumplicidade que torna nítida a confiança que ambos atingimos. Alentejo acima Alentejo abaixo, caminhas de mim para ti num rumo que nunca antes pensarás ter. Agora em unisom, seremos sempre o que temos de melhor. Por tanto, e por tudo, quero estar aqui. Sei que há dias que o vazio me preenche de ideias opostas, de pensamentos inversos e de atitudes contraditórias. Porém, sei que em consciência que estou serena, mais gradua e sempre pronta para os desafios mais aliciantes deste sol doirado. 

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