Incrédula, é a minha expressão para tal. Ora vejamos,
este problema de saúde pública que me ocorreu há uns tempos e que não consigo
deixar de me indignar com espanto. Pela primeira vez nesta minha curta
existência enquanto adulta, fui abordada no meu campo profissional com um
pedido que não consegui assistir. Muito simples, estava no atendimento ao público
na farmácia quando uma senhora, na casa dos seus 35 anos, me requer
preservativos femininos. Perante isso, muito naturalmente fui averiguar se
tinha. Verifiquei ao fim de 20 minutos que não os tinha em stock, não existiam
em nenhum dos fornecedores do canal de farmácia. Com algum espanto tive de
explicar à senhora a barbaridade que me estava a aperceber. A senhora encolheu
os ombros e reclamou com o “sistema”. A verdade é que é um pedido raro, mas não
deixa de ser um pedido pertinente e com um grau de relevância importante. Assim
como foi uma senhora desta idade, poderia estar perante uma adolescente,
consciente da sua sexualidade e querendo proteger-se a si e ao seu parceiro.
Posto isto, muitas foram as questões que me assaltaram a consciência! Vejamos, para
uma mulher se proteger numa relação sexual tem de estar dependente do seu
parceiro. Entendam-se subjacentes todas as questões por detrás desta simples inexistência
no mercado. Em Portugal, não existe este meio de contracepção. E pergunto eu…como
é possível? Porque esta temática é bastante bem abordada junto dos adolescentes
nas escolas, sendo considerado tão útil e importante como todos os outros. Porém
o mercado só dá ênfase à protecção sexual masculina! É irritantemente absurdo,
digo eu. Eu enquanto mulher do séc. XXI não tenho a possibilidade de me auto-proteger
das DST’s ou de uma gravidez ou seja do que for, sem ter de depender do meu
parceiro sexual? É um contra-senso! Mesmo que a procura deste meio
contraceptivo feminino seja muito menos acentuada que o masculino, há
necessidade da sua existência. Simplesmente porque está-se a mexer com uma
questão de saúde pública. É claro que se sabe que o preservativo masculino é
muito mais prático e acessível em termos monetários, mas ambos funcionam
efectivamente bem. Parece que estamos perante uma hipocrisia social. Pelo que
sei, este meio de contracepção só é oferecido por instituições a mulheres
ligadas à prostituição ou vendidos em sexshops. Este preservativo feminino não
está acessível a uma mulher ou adolescente que queira proteger-se com uma
aquisição simples, como numa máquina de uma farmácia ou num supermercado ou
numas bombas de gasolina. Incrível! Espero que com a evolução dos tempos este tópico
aumente a sua importância em todos os sentidos, sociais, éticos e
principalmente termos de saúde pública.
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