sábado, 20 de agosto de 2011

@ Espirolactona


As minhas bolachas dos Simpsons, eu, uma garrafa de água, 40ºC, xaropes, momentos e sorrisos. A isto se resume esta temporada. Madrid foi um fim-de-semana bastante enriquecedor, vi arte clássica e contemporânea como se tivesse a comer tremoços à velocidade da luz. Picaso, Dali, Goya and so one. É uma capital muito diversa, inspira confiança e dá vontade de voltar, nem que seja para ir apoiar um futuro jogo do Real Madrid. Depois de 10h em viagens, eis que volto a Granada. E… uma nova temporada na farmácia hospitalar me esperava. Elaboração de medicamentos, em três palavrinhas apenas que dizem muito. Ando todo o dia com um mega equipamento verde, a fazer concorrência desleal ao Shrek. Caminho entre a parentérica, os sólidos e líquidos, os citostáticos. É como tivesse a nadar num coral, a cada minuto surge alvo novo para explorar, algo genuíno e personalizado. Algumas realidades que aparecem são duras. Custou-me imenso no primeiro dia ouvir que a suspensão oral que se estava a preparar na área dos citostóxicos era para meninos com tumores cerebrais malignos. Mas avante, isso dá-nos uma força enorme para preparar tudo com mais afinco, porque é para o bem delas que estamos ali a dar o nosso melhor. Bem, depois de ver um pouco como tudo se fazia, a coordenação dos processos, a lógica da arte de elaborar tudo, eis que me dão uma prescrição básica de um xarope para as mãos. E dizem: lembraste como fizemos ontem? Pronto a técnica é a mesma, vou-te deixar aqui sozinha a fazer, e alguma dúvida estou na sala ao lado. Afu… foi dizer apenas, vamos Dani, mãos à obra. E lá comecei eu, a realizar o primeiro xarope de Espirolactona da minha vida. Correu bem, ufa.
Bem mas além das minhas aventuras das batas verdes que contrastam com o fundo branco das paredes laváveis das salas limpas, há mais. Este calor continua e penso que vai durar até ao fim da minha jornada. Esta sexta o dia estava com nuvens, mas logo pela tarde o sol veio marcar o seu ponto diário. Já passou bastante tempo, desde que saí do colinho português. Todos os dias me lembro das pessoas, do que elas estarão a fazer, a pensar, a realizar. Pais, primos, tios, amigos, colegas, conhecidos de vista, as senhoras das lojas, as senhoras dos cafés, dos correios, das pastelarias. Tudo me ocorre. E sei que estão bem, porque o melhor sitio para se estar é Portugal. Isso é nítido pela boa impressão que todos me dão desse cantinho atlântico. Mas por alguma razão veio José Saramago em busca da sua diva granadina, a Pilar. Sim porque será? Eu penso que já sei porque. Não ficou indiferente a tanta beleza, e quis gravar em si um pedaço desta terra. A sua inspiração. O seu teor linguístico que  revolta o mundo, só poderá ter vindo daqui, Granada <3

DC*

2 comentários:

  1. Sabes, aqui neste cantinho há quem fique longe das tecnologias por um tempo e se encha de alegria quando finalmente põe vista naquilo que há desse lado. E vem de todo o lado, em cada caixa de correio. Sabe tão bem! O postalinho fresquinho de 40º chegou, ufa, não se perdeu nem derreteu com o calor! E veio dizer-me que esse lugar que te acolheu tem magia, vejo bem nestas imagens cheias de cor e expressividade. Quase te consigo imaginar a passear nestas ruas tão únicas e carismáticas!
    No teu hospital têm sorte em ter uma 'hermana' tão dedicada! Aproveita tudooooo :D
    Mil beijinhos aqui do Portugal que não se entende com as estações do ano! :b

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  2. gosto muito de te ler amiga (: espanha que te trate bem, senão vou-me a ela :b LOVE YOU *

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