A ausência de vento sobre este
blog é nitidamente o espelho da rebolia que os últimos tempos se têm revelado. Tudo
assenta em mudança, não seja esta palavra já uma característica da minha
rotina. Tenho bicho-carpinteiro, e permanecer inerte no espaço é como ser um
espantalho no meio da horta. Não tenho guelras, mas sinto-me como se as
tivesse. Respiro este mar solarengo em contraste com os campos de feno, deixo o
pensamento fluir no horizonte das planícies. Encontro-me aqui a crescer, a
maturar a paciência que sempre tão vã foi. O relógio biológico está em
constante desatino, não se reconhece ainda com esta forma de vida.
Por outro lado, o destino
traçou-me umas mudanças intrínsecas. De seu cariz pessoal, fez-me entender ao
que realmente se deve dar valor. Reciclou ideias, propositou atitudes de
insanidade mental que resultaram em conclusões já há muito encontradas.
Flamejou o sentido que era o certo. Reconfortante sinto que há muito ainda para
dar, para acontecer, para colmatar no seu auge. A partilha simbiótica em prol
de tudo, é mágica.
Ao completar mais um ano da minha
caminhada desde 90’ ,compreendo porque nasci com estes olhos claros. Para reflectir todos os momentos que me envolvem, que me permitem reconhecer o genuíno, a
intensidade de tudo e todos. Ver que a cada olhar que me intersecta, vejo
emoção, e realizo-me.
A cada idosa, a cada sorriso teu,
a cada respirar fungoso que trato, a cada dia de sol deste sudoeste, a cada dor
de pernas, a cada mimo, a cada palavra amiga que me conforta a quilómetros de distância,
a cada preocupação paternal, a cada chamada de atenção, a cada juízo maternal,
a cada loucura, a cada lágrima, a cada ramboia, a cada toque de blush, a cada
boa noite. É por todos estes trilhos que vagueio e me vou completando dia após
dia.
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