Contraditório seria ao invés, o invertido.
Pois é imperceptível esta minha incapacidade de expressividade
perante sentidos apaziguadores, extraordinários momentos e
sabores sensacionais . Será que o drama e a tragédia sempre
se traduzem mais fáceis do que a estabilidade e o equilíbrio?
Não consigo deixar de ser redundante quando quero detalhar o que sinto.
Prolifero partes de mim dissipando, como se tudo o que é bom fosse
a metáfora de uma nuvem branquinha , confortável e de um toque
puramente suave. Porém, o sentido de ser nuvem é um todo que não se palma por
partes ou moldes, e assim estou eu. Sei nitidamente que existes, bonita
a vaguear nesse imenso azul consequentemente infinito. Contudo, és
volumosa e cheia de surpresas, camuflas o sol, libertas a chuva...ora miudinha
ora granizada, impulsas esses flocos de neve de uma
temperatura gélida, confortas o mar quando nasces e hibernas na
sombra da noite. Ainda assim, ninguém te consegue apanhar, agarrar, fazer
de ti um ser concreto em polpa e circunstância, não te deixas definir
em consistência...só em evidência. Existes porque sentes e sabes o que
tens de fazer, tens a consciência de quem és, não te deixando ser. E
és persistente nuvem, mesmo com o vento a soprar, uma montanha por atravessar ou
o mar a balancear, tu moldas-te ou avanças nunca desistindo do teu branco
cor de cal.
Seres tu em mim nuvem, é assim que é.
Sinto, sei porque sinto e porque sou para quem sou. Esmero-me por
surpreender o meu sol, liberto a essência de mim por ti,
impulso as vontades mesmo quando o ar é gélido, conforto-te quando ondas altas
e baixas se avistam, e hiberno no teu leito durante a noite. Porém,
é impossível concretizar em pedacinhos, em quadrados perfeitos,
palavras, gestos ou ternuras. Expressam-se por si, assim como tu nuvem quando
atravessas a montanha te mantens fiel a ti mesma, existes. Por isso, aqui tu me
tens, a consentir o olhar do que não vês mas formiga em ti e arrepia.
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