O mundo pula, gira e interage activamente com todos os seus pertences. Aparentemente todos vivem por si, respiraram individualmente sem ter de justificar o porquê de tal inspiração seguida de expiração. Sucede e não se questiona. A essência inerente a cada parte de ser ou existência muitas das vezes tenta ser explicada à mercê do incógnito e do desconhecido mítico. O que o racionalismo não quer explicar por palavras ou coesões, tende a ser ocultado por detalhes dogmáticos de mistério e impetuosos negados de receio que chegam a ser banalizados e ironicamente ignorados. Contudo, essa essência é inevitável, e exprime-se das formas mais melindres e rigorosamente vacilantes. Vive das falhas, dos limites, da sensibilidade, das fraquezas. Admite todas as transparências e invasiva é comum a todo o mínimo cosmos. Ninguém a conhece ou compreende mesmo que tente, nada se sabe sobre. Porém o que a caracteriza é que pertence a todos e a tudo, é intensa e pulsa sentidos encruzilhados com matéria, espaço e divagação. Venham leis, regras, fórmulas, lógicas, razão e mais que haja. Ambos, o ser e o existir, escarnecem de si e avultam a presença que esta tem em palco. Coincidências, o agora faz sentido, a coesão entre pontas soltas, o justificar o infortúnio pela bonança, o crer por não querer, a satisfação do delito em prol do eu, o abismo denunciado em fragilidade, a excitação em forma de volúpia consumível, a exposição sob forma de alucinação, a tempestividade por pouco de acontecer, a capacidade de complexar o ser, o mal dizer por fazer, a vontade sem saciedade, o crescer por fortalecer, levam a um ciclo sem sapiência. Imergimos do mesmo, e o importante é incutir a simplicidade de abraçar com a audácia da firmeza de que vale a pena ousar por este âmago inconexo.
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