domingo, 1 de setembro de 2013

Palavra

                Falemos de palavras difíceis, multi-interpretativas que causam imensa desordem comportamental e sentimental. Palavra diria apenas, que é o motor de forças maiores, que avança mundos por causas e alicerça consequências por si só. Prontamente dita, causa sempre impacto, deriva sentidos e exponencia emoções. Sempre que me lembro do seu sentido em mim, perante os outros fica a noção diferente a cada olhar, perante cada gesto e a cada segundo. Prefiro não a prenunciar, que seja uma premonição que se depreenda por ela própria no seu intrínseco significado.
                Entende-se por magia esse sentir forte que domina seres, momentos e ações. Através de um gesto piedoso ou de ternura, expressa-se nas suas entrelinhas o seu poder. Cega olhares, permite agir de uma forma avassaladora e preponderante por alguém ou por algo. Conduz a atitudes sensatas ou incontroláveis, desmedidas e desproporcionais. Não existe sinónimo para tal palavra, graças à graciosidade da sua essência. É bom ter a consciência dela em nós, e vivermos na órbita do seu sabor e intensidade. Pode variar entre vários tipos, do maternal ao conjugal, do carinho ao mimo. Interage entre pessoas e animais. É múltipla e dispersa por todos nós de maneira divergente.
                 Porém, a sua ausência ou o seu sentido de perda é como um buraco negro. A escassez deste poder cria entre os demais um temor, um descontrolo e um desconcerto perturbante e depressivo. Somos dependentes da sua existência, visto que a sua ausência torna tudo muito fraco, a preto e branco, impotente e descrente. Presenciar com este olhar essa lacuna de perto mas em fontes alheias cria em mim desconforto. Saber que é tão melhor caminhar no sentido de conjugar forças para obter este poder, e ver o inverso… infiltra-me comichões infindáveis. Não posso justificar determinadas falhas deste poder, é irreversível que isso aconteça, tal é a complexidade do ser humano. Esta complicação de caminhar dos seres, é evolutiva. E entender o que não é perceptível torna tudo num nó sem fim. Questões incongruentes pairam entre os sentidos, saber que entre esses demais seres tudo já foi tão mais fluente e flexível. Agora está a murchar como uma tulipa que vive imperiosa na sua cor em flor e o tempo a deixa cair por terra. Não consigo ficar indiferente aos mesmos, que de mim ambos têm essa palavra como a maior, que reina em mim a todos os segundos. É graças aos demais seres que de mim existe o meu sentir de estar para ser. Não conseguir mover tudo como certo e ver a cair o que está em alicerces soltos, é dessoante. Coesão perante incongruências ditas pelo não dito, fazem pensar cada vez mais porque não posso estar sempre rodeada de pessoas que lutam pela palavra das palavras. Eu luto, e quero lutar por mim, pelos demais que de tanto falo com afinco e por quem sinto o melhor deste sentir de palavra. 

(amar)

2 comentários:

  1. É tudo tão insuficiente quando e quer definir algo assim. Mas acredita que a tua força gigante vem dessa capacidade de o fazer, entre parênteses. És tão grande :)

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  2. quem fala assim NÂO é gago :) tens em ti toda a força do mundo *

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